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Beltrame condena policiais na morte do filho de Cissa Guimarães

O secretário de Segurança José Mariano Beltrame afirmou que o sargento Marcelo Leal e o cabo Marcelo Bigon são frutas podres na PM


28/07/2010 - 16:28 - Extra
Beltrame condena policiais na morte do filho de Cissa Guimarães

O secretário de Segurança José Mariano Beltrame afirmou, nesta quarta-feira, que o sargento da PM Marcelo Leal de Souza Martins e o cabo Marcelo Bigon são frutas podres na corporação. Os policiais teriam cobrado R$ 10 mil para liberar o carro de Rafael Bussamra, após o atropelamento do músico e skatista Rafael Mascarenhas , filho da atriz Cissa Guimarães. A declaração foi feita durante a inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora do Andaraí , quando Beltrame afirmou ainda que as corregedorias das polícias Militar e Civil devem ser mais investigativas.

- Frutas podres nos atrapalham, dificultam a nossa ação. Temos que pensar no melhor coletivo. Por isso, as corregedorias tanto da Polícia Civil como da Polícia Militar foram orientadas a não serem mais reativas, mas que sejam investigativas. Isso é o que vai ser cobrado – disse Beltrame.

Segundo o RJTV, a Polícia Civil teria afirmado que o resultado da perícia no carro do atropelador será divulgado na tarde desta quarta-feira. Já o laudo da reconstituição do acidente , realizada na madrugada de terça-feira, sairia na próxima semana.

Os advogados Claudenor de Brito e Willberg Lima, que representam o cabo Marcelo Bigon, disseram que a denúncia de propina foi uma estratégia para mudar o foco das investigações. Ambos alegam que o policial não pediu dinheiro à família Bussamra para liberar o veículo envolvido no acidente.

- Querem tirar a atenção de quem realmente tem culpa – disse Claudenor.

Ainda de acordo com os advogados, Bigon só prestará depoimento em juízo. Segundo a delegada Bárbara Lomba, da 15ª DP (Gávea), os policiais não devem prestar depoimento na manhã desta quarta-feira.

No início da madrugada desta quarta-feira, eles foram transferidos para a Unidade Prisional da Polícia Militar , em Benfica, Zona Norte. Os dois, que são lotados no 23º BPM (Leblon), tiveram a prisão decretada no início da noite desta terça-feira pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar do Rio.

Na tarde desta terça, o corregedor da Policia Militar, Ronaldo Menezes, que suspendeu as férias, levou o inquérito policial militar que apura o caso à juíza, a fim de convencê-la da necessidade de manter o sargento e o cabo presos, durante a investigação.

A promotora Isabella Lucas pediu a prisão dos PMs por crime militar, atendendo à requisição da Corregedoria Interna da Polícia Militar. Para fazer o pedido, o MP se baseou nos depoimentos do pai do atropelador, Roberto Bussamra, e de seus dois filhos, Rafael e Guilherme, e nas imagens da CET-Rio na saída do Túnel Acústico, na Gávea, onde ocorreu o acidente. Também foram considerados os dados do GPS do carro dos PMs. Ela chama atenção também para o fato de os policiais não terem observado o estado “afrontoso” do veículo do atropelador, parcialmente destruído.

O cabo Marcelo Bigon, que estava preso administrativamente, tinha sido solto no fim da tarde desta terça-feira. O militar foi libertado porque expirou o prazo de 72 horas da prisão administrativa, e a Justiça Militar ainda não tinha decidido sobre a prisão preventiva dos dois policiais acusados. Dessa vez, a prisão preventiva tem prazo de 82 dias.

Segundo decisão da juíza, a custódia cautelar é imprescindível para o prosseguimento das investigações, uma vez que ainda não foi possível reunir todo o conjunto de provas. “Além disso, há notícias de que os acusadores sentem-se intimidados e pensam em ir para outro local”, afirmou a magistrada. Ainda segundo ela, a prisão dos suspeitos é importante para a conveniência da instrução criminal e a garantia da ordem pública, além dos fatos imputados aos indiciados serem de extrema gravidade, sendo crimes que revelam uma inversão total dos valores ensinados na formação de um policial militar.


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