A morte do ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Melo à Presidência, Paulo César Farias, o PC Farias, continua cercada por mistérios. O último envolve uma das juradas do julgamento, que foi ameçado dois dias antes do júri declarar que os policiais acusados de matarem PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, eram inocentes. O promotor do caso, Marcus Mousinho, decidiu que vai pedir a anulação do julgamento.

Foram julgados pelo júri popular os ex-militares que atuavam como seguranças de PC Farias: Adeildo dos Santos, Josemar dos Santos, José Geraldo da Silva e Reinaldo Correia de Lima Filho.O crime ocorreu em 23 de junho de 1996, em uma casa de praia em Guaxuma, Alagoas e o julgamento ocorre 17 anos depois das mortes.
Segundo o promotor, outro motivo que poderia resultar na anulação do julgamento é a quebra de incomunicabilidade entre os jurados.Mousinho ressalta que ainda não é possível garantir que a ameaça partiu de alguém interessado na absolvição dos réus.

“O que posso dizer é que houve uma perseguição ao marido de uma das juradas, na noite da quarta-feira. Ele transitava pela AL-101 Sul quando, nas proximidades da ponte Divaldo Suruagy, um veículo Kya Cerato, de cor preta, começou a cortar luz. O motorista deu espaço para que o carro fizesse a ultrapassagem por diversas vezes, mas, o automóvel não o fez. Desconfiado, o condutor acelerou seu veículo, tendo sido seguido pelo Cerato. A perseguição só terminou quando o esposo da jurada entrou na rua da Academia de Polícia Militar, situada na Avenida Assis Chateaubriand. Após esse episódio, quando em contato com a mulher, no dia seguinte, a vítima contou sobre o ocorrido e tal situação causou pânico a ela”, explicou Marcus.

A jurada contou o fato a outros dois outros jurados na noite da quinta-feira e, na sexta, no trajeto para o Fórum, disse para os demais colegas. “Por conta desse gesto, houve a quebra da incomunicabilidade entre os membros do Tribunal do Júri, um procedimento que não é permitido por lei”, afirmou Marcus.
O Ministério Público do Estado já havia recorrido da decisão na última terça-feira, alegando que o júri decidiu contrariamente às provas existentes nos autos da ação penal. Um novo julgamento poderá ser marcado se a Justiça aceitar essa alegação.