“Gata do crime” é presa e diz estar marcada por bandidos de São Paulo

Uma jovem, de 18 anos, foi presa no dia 30 de dezembro em Campo Limpo Paulista e foi apelidada de “gata do crime”


09/01/2011 - 23:13 - G1
“Gata do crime” é presa e diz estar marcada por bandidos de São Paulo
"Gata do crime" foi presa por participação em assalto em São Paulo

Uma jovem, de 18 anos, que foi presa no dia 30 de dezembro em Campo Limpo Paulista, a 53 km de São Paulo, por ser suspeita de participação em um assalto a um supermercado, é uma morena de olhos verdes, rosto e corpo de modelo, que foi usada pelo crime. Por sua beleza, ela acabou apelidada pelos policiais de “gata do crime”. E, por isso, acabou reconhecida.

“Eu creio que não era pela minha beleza, mas, sim, pelo meu saber. Pelo meu estudo que eles sempre pediam para eu fazer alguma coisa, ir no banco junto com eles, assim. Ou shopping ou contas. Eles queriam, devido ao meu nome, que está limpo”, disse, à reportagem do Fantástico.

Bandida ou uma jovem ingênua? A polícia ainda investiga a ligação dela com roubos e drogas e tenta traçar um perfil da personalidade da moça de apenas 18 anos. “Nunca roubei antes”, contou ela.

A beleza e o porte dela chamaram a atenção da policia. “Nós tínhamos as imagens do circuito interno de monitoramento. Quando passou o trio, a moça chamou a atenção, até porque era uma moça bonita. O pessoal fez um comentário e quando olhamos fixamente, percebemos que se tratava do trio que havia praticado o roubo no supermercado”, declarou o policial José Roberto Ramalho.

Foi assim que a jovem virou personagem das páginas policiais. Ao passar perto do posto da Guarda Municipal em Campo Limpo Paulista, foi presa com dois cúmplices: um homem e uma menor de idade. Ela estava junto com um casal que assaltou o supermercado com uma arma. A câmera de segurança mostra a jovem passando atrás deles na hora do crime.

“Desodorante, creme de cabelo, que a menina pegou e colocou dentro do carrinho, e uísque. Eles roubaram dinheiro do caixa, uma média de R$ 150”, afirmou a jovem. “Foi de última hora eles assaltaram, porque nem eu sabia. E se eu sabia, com certeza não teria ido junto com eles lá”, completou.

Para chegar no supermercado, o casal e a morena roubaram o carro de um taxista. “Foram dois crimes na sequência. Se as penas forem somadas, vai fazer com que permaneçam um tempo na cadeia”, afirmou o delegado Marcel Fher.

Em Iporã do Oeste, interior de Santa Catarina, quase divisa com a Argentina, a jovem vivia com a mãe, viúva, e um irmão adolescente, até agosto do ano passado. Ela deixou a casa simples na zona rural de Iporã do Oeste, dizendo para a mãe que queria um futuro melhor. Queria trabalhar e estudar Direito. Em São Paulo, perdeu o emprego. Longe da família e aparentemente ingênua, foi atraída por más companhias.

A mãe dela toca sozinha o sítio e chegou a enviar dinheiro para ajudar a filha em São Paulo. “Mandei R$ 1,2 mil”, contou ela ao Fantástico. A jovem está na cadeia de Itupeva, na Grande São Paulo, e na entrevista pediu para não mostrar o rosto. “Eu já estou marcada. Mas eu me sinto melhor não mostrando o rosto”, disse.

Ela não conta, mas a mãe garante que a filha vivia sob ameaça em São Paulo. “Sendo ameaçada. Isto aí é o que ela estava falando para mim. Ela não podia nem dizer certo onde ela estava morando. E eu insistindo para ela: ‘Aonde você está?’ ‘Mãe eu não posso falar, porque eu estou sendo vigiada’”.

“Essa pseudo-ingenuidade por essa educação, pela vida que teve anteriormente, ficou sendo uma presa fácil para pessoas mais astutas”, explicou Geraldo Vendrame Ribeiro Jr., advogado da jovem. Ela admite que vivia em baladas regadas a drogas. “Eles usavam drogas. Não uso, minha mãe não deixa eu usar”, afirmou ela.

O gosto pelo desenho e a vontade de ser advogada não acabaram. Mas para ela, a volta à vida normal pode demorar muito. “Estou com vergonha por envergonhar a minha mãe.”

“Se eu mandasse um recado para minha mãe, pediria desculpas para ela pelo que eu fiz. Diria para ela não se preocupar, para ela pensar na saúde dela. Para ela cuidar bem do irmão, que está do lado dela e para tentar, e se ela puder tentar vir me visitar”, pediu.

“Deus o livre, eu não tenho sossego, eu não tenho sossego. Eu não posso nem falar quase. Porque ver uma pessoa assim sofrendo. Chega a hora da comida, não posso mais comer. Chegou Natal, Ano Novo… “, se emocionou a mãe. “O que eu fiz teve as consequências e essas consequências eu vou ter que enfrentar”, disse a jovem.

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