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Moradores estão sem fonte de renda em Cocal

População reclamam também que as casas recebidas não cabem as famílias


31/05/2010 - 7:40 - Diário do Povo

Uma casa de quatro cômodos sem água e energia, sem terreno para cultivar e criar os animais é tudo que os atingidos pelo rompimento da barragem de Algodões I, no município de Cocal conseguiram até o momento.

Assim mesmo entre os que aceitaram o imóvel alguns começam a vender porque garantem que as casas não comportam as suas famílias. Gente que perdeu imóvel de R$ 300 mil, não se contenta com apenas a casa do assentamento.

Para os atingidos pelo rompimento da no dia 27 de maio de 2009, sofrimento. É assim que os moradores relatam a sua rotina desde o dia da tragédia. Francisco das Chagas Machado, 39, disse não entender porque os responsáveis pela negligência que culminou com a morte de 10 pessoas, após um ano ainda não foram punidos.

A família de Francisco não teve vítima fatal, mas segundo ele todos os atingidos perderam a fonte do sustento de suas famílias. “Aqui as famílias sobreviviam de vazantes, de hortas, poderia ser na seca ou no período chuvoso a gente tinha como cultivar, porque tinha a água da barragem. Por outro lado aqui tinha um ponto turístico muito freqüentado, e eu tinha uma oficina de motocicleta, e com a presença de muitos visitantes tinha serviço. Com o fim da barragem estamos vivendo num deserto, aqui falta tudo”, afirmou.

Francisco que acompanhou a construção da barragem, disse que os moradores sempre ouviram falar no serviço mal feito realizado na barragem desde a sua construção. Por volta de 1998 quando concluíram a barragem, o serviço foi tão mal feito que uma barreira desabou e entupiu o sangrador, mas sempre diziam, que aquela barragem nunca era capaz de acumular água para necessitar do sangrador.

Ele disse também que a manutenção que a barragem recebia era apenas o roço do mato e a pintura das letras com o nome da barragem. Para que não conhecia os defeitos da barragem estava tudo normal. Para se ter uma idéia do tamanho da irresponsabilidade a comporta foi danificada no tempo da inauguração nunca foi concertada.

Os moradores sabiam dos defeitos, inclusive com o grande acumulo de água os moradores alertavam que a barragem ia romper, por isso mesmo, dias antes os moradores foram proibidos de freqüentar a barragem, colocaram até policiais para não permitir a entrada dos moradores.

Sebastião Pereira, que está morando a 200 metros da barragem em uma das casas do DNOCs, por não aceitar a casa do assentamento, garante que a casa não tem infraestrutura para acomodar a sua família e permitir a atividade de criador de animais. Ele disse que no dia do acidente, alertou aos policiais que pegassem a viatura e fossem embora, porque naquele dia a barragem rompia. Sebastião acertou, só não imaginou que seria de tamanha violência.


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